quinta-feira, 19 de junho de 2014

CORPUS CHRISTI: VOCÊ SABE O QUE ISSO SIGNIFICA?

Hoje (19/06/2014) visitei o centro da cidade de Cabo Frio, RJ. Apesar do tempo chuvoso, pude ver ali centenas se não milhares de pessoas principalmente jovens envolvidos no que a ‘Igreja Romana’ chama de “expressões artísticas”. ‘CARRADAS e mais CARRADAS’ de caminhões (não estou exagerando em dizer CARADAS) de SAL espalhadas pelas ruas.
CORPUS CRISTI é uma das grandes HERESIAS da HISTÓRIA.
A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XIII. A Igreja Católica Romana sentiu necessidade de realçar a PRESENÇA REAL DO “CRISTO TODO” (Carne, sangue, órgãos, unhas, cabelo, ossos, pele, fezes ou excrementos... em fim, o “Cristo todo”) no pão consagrado. A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a bula Transiturus de hoc mundo de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
 Antes do dia 11 de agosto de 1264 a Igreja Cristã amparada pela Bíblia não cria absolutamente em nada disso (não existia o dia de CORPUS CHRISTI” na Igreja Cristã – foi instituído pelo Concílio vaticano). Da mesma forma, os genuínos cristãos atuais não podem aceitar tais ensinos que não tem qualquer amparo na Bíblia, a Palavra de Deus.
O BRASIL É UM PAÍS INCREDULO. UM GRANDE CAMPO MISSIONÁRIO!!!  “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até à ceifa? Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa.” (João 4:35).
Jerusalém é a cidade onde vivemos. E o “ide” de Jesus não significa que eu não possa ficar. Não se trata necessariamente de uma questão geográfica. O chamado pode se estender até a ‘Bolívia’ sem jamais esquecer-se da ‘Olívia’ (sua cidade, seu bairro, sua rua, seu condomínio), a igreja local precisa evangelizar visando tirar o homem do mundo e devolvê-lo ao mundo, transformado, com novas convicções e novos padrões.

Rev. Misael Ferreira de Oliveira





 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

GENEBRA E O NORDESTE BRASILEIRO: CONTRA SENSO IRECONCILIÁVEIS

Um dos capítulos do trabalho do Rev. Misael ao Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper – SP – Intitulado:
 DIAKONIA NA MISSÃO IGREJA
Pietas et  etiam caritas
O culto devido a Deus (pietas) e o amor devido ao próximo (caritas)
Com o passar do tempo, sem percebermos, valores neotestamentários e históricos foram desprezados até desaparecê-los. Nos últimos anos a igreja se distanciou consideravelmente dos valores e deveres cristãos em duas linhas paralelas quase irreconciliáveis. Os ‘cristãos’ modernos opinaram por uma ‘linha’ que se afasta com velocidade da ‘fronteira’, da ‘linha de demarcação de Deus.

       GENEBRA E O ESFORÇO MISSIONÁRIO DE JOÃO CALVINO
Pensar em Calvino como responsável por uma elaboração de uma doutrina somente, é sem dúvidas algo muito pequeno e claramente faltoso de conhecimento da vida e obra de Calvino. À medida que conhecemos a doutrina calvinista, fica claro a importância atribuída e comprometimento de Calvino com o cuidado pastoral, a evangelização e visão missionária num tempo onde a opressão ao evangelho era grande operando no radicalismo.[1]

                        Falar de João Calvino é falar de um home segundo o coração de Deus, é fato de desejarmos ver o Senhor Jesus Cristo por trás da vida celebrada. Apreciar esse reformador do século XVI é desejar ver novamente a obra de Cristo na redenção do homem, na vida cristã, no mundo criado e no mundo porvir. O escopo da teologia de Calvino é a união de Cristo com o homem redimido, perdoado e salvo. “Também vemos muito de sua preocupação em glorificar a Deus e edificar a igreja, alcançando os homens perdidos por meio de uma ousada ação missionária e evangelística; consolando o povo de Deus em suas perseguições, por meio de inúmeras cartas que enviava aos crentes da França e de muitos outros lugares; instruindo o povo de Deus por meio de sua incansável ação pastoral, seu vasto trabalho de exposição das Escrituras e sua vigorosa produção de comentários bíblicos”.[2]
                        A ação missionária e evangelística de Calvino em Genebra é de deixar a igreja hodierna envergonhada. O calvinismo é o maior exemplo de empreendimento missionário na história pós-reforma. Quem foram George Whitefield, Charles H. Spurgeon, William Carey, Devid Brainerd, Jonatham Edwards, Ashbel Green Simionton etc senão calvinistas convictos?  A paixão e vocação missionária de Calvino se revelou de várias maneiras:
Muitos conhecem a acusação de que os calvinistas se preocupam somente com doutrina e são indiferentes à evangelização e missão... Calvino evangelizava persistentemente as criança de Genebra, por meio de aulas de catecismo e da Academia de Genebra. Ele treinava pregadores a rogarem aos homens e mulheres que seguissem a Cristo. A visitação na enfermidade prescrevia uma conversa evangelística. Além de uma análise superficial dos sermões de Calvino mostra de imediato um zelo permanente para que homens e mulheres forres convertidos a Cristo.[3]

                        Não se pode separar Calvino da obra missionária, nem ignorar seu modelo evangelístico para a igreja em toda a sua trajetória no prepara e envio de missionários. “88 missionários foram enviados a Genebra. De fato, ouve mais do que cem, e muitos deles foram treinados diretamente por Calvino. Genebra se tornou o irmã de crentes perseguidos, e muitos desses imigrantes foram discipulados e retornaram ao seu país como missionários e evangelistas eficazes”.[4]
                        Quando os tempos de turbulência se acalmaram no ministério do reformador, imediatamente surgiu a oportunidade para expansão missionária intencional e implantação de igrejas. A história mostra que a bênção de Deus repousava sobre a vida e os esforços missionários de Calvino e das igrejas de Genebra., de 155 a 1562, foi extraordinário – “mais de 200 igrejas secretas foram implantadas na França por volta de 1560. Até 1562, o número crescera para 2.150, produzindo mais de 3.000,00 de membros. Algumas dessas igrejas tinham congregações que totalizavam milhares de membros”.[5]
                        Existe o relato histórico de uma correspondência do pastor de Montpelier relatando o grande apogeu missionário decorrente das bênçãos do Senhor: “...nossa igreja, graças a Deus, tem crescido, e continua crescendo tanto a cada dia, que pregamos três sermões aos domingos para mais de cinco ou seis mil pessoas”.[6] Outra Carta do pastor de Toulouse, declarava: “Nossa igreja continua crescendo até ao admirável número de oito ou nove mil almas”.[7] A França, pátria do reformador foi por meio de seu ministério ‘evadida’ por mais de 1.300 missionários treinados em Genebra. Desse esforço missionário nascera a Igreja Huguenote Francesa que quase triunfou sobre a contra reforma católica na França.
Calvino não evangelizou e implantou igrejas somente na França. Os missionários treinados por ele estabeleceram igrejas na Itália, Holanda, Hungria, Polônia, Alemanha, Inglaterra, Escócia e nos estados independentes da Renância. Ainda mais admirável foi uma iniciativa que enviou missionários ao Brasil.[8]
                       
                        O compromisso missionário de Calvino com a evangelização e missão não era teórico, mas, como em todas as outras áreas de sua vida e ministério, era uma questão de atividade zelosa e compromisso fervoroso. 

       11.2. O DESCASO MISSIONÁRIO NO NORDESTE BRASILEIRO

O Projeto Macedônia exerce dentro do contexto calvinista e amor ao próximo uma contribuição necessária para o nordeste brasileiro, assolado por pobreza, idolatria, injustiças, e um completo abandono por parte das autoridades políticas na sua maioria corrupta. Os números apontam para um campo promissor e necessitado da atenção da igreja brasileira, tão preocupada com o restante do mundo, enquanto os filhos da nossa nação morrem de fome e principalmente sem ouvirem a palavra de Deus.[9]
                                                Vimos o esforço missionário e concentrado de João Calvino. Esforço esse que tem reflexo no mundo ainda hoje. Sentimos falta de uma “Genebra’ onde respira missões. Para o reformador genebrino não existia lugar ou pessoa onde a graça de Cristo não pudesse alcançar e restaurar e conduzir a boa ordem. “De fato, a glória de Deus resplandece em todas as criaturas, tanto nas superiores como nas inferiores. Contudo, em nenhum outro lugar essa glória resplandeceu mais intensamente do que na cruz, na qual houve uma admirável mudança de coisas – a condenação de todos os homens foi manifestada, o pecado foi apagado, a salvação, restaurada ao homem; em resumo, todo o mundo foi renovado, e todas as coisas, restaurada à boa ordem”.[10]
                        Nordeste & Missão.[11] O Brasil, mas principalmente o Nordeste é um lugar deixado à própria sorte pela igreja. O Sertão nordestino é a mais próxima e negligenciada fronteira da igreja brasileira. Longe dos olhos, às margens das iniciativas e estigmatizadas como “campo resistente”, centenas de comunidades rurais, onde vivem mais de 11 milhões de pessoas, clamam ano após ano por uma oportunidade relevante de ouvir o Evangelho.
                        Historicamente estas cidades do sertão nordestino têm sido classificadas como “resistentes” ao avanço da igreja evangélica devido à idolatria. Dados do IBGE, contudo, revelam um forte crescimento dos “sem religião” na última década, fazendo com que este grupo já seja o segundo mais numeroso em várias destas pequenas cidades. Juripiranga (9.600 hab.), no agreste Paraibano, com 22% de “sem religião”, é um exemplo.
                        A Paraíba, com 84 municípios com menos de 3% de presença evangélica, é o Estado mais carente do Evangelho no Brasil!
Mas a Paraíba também é estratégica para o avanço do Reino de Deus na região, pois é o centro geográfico do Nordeste. Partindo de João Pessoa, num raio de 700 km, temos 5 outras capitais, vários pólos regionais, como Campina Grande, Mossoró e Caruaru e centenas de pequenas cidades do sertão.
            O Nordeste (principalmente o sertão) é o maior desafio missionário da igreja brasileira. Ao mesmo tempo, por causa da alegria, fibra e criatividade de sua gente, é o maior potencial ainda não mobilizado, da própria igreja, para missões. Veja alguns números.
            É a 2ª região mais populosa do Brasil (52 milhões hab.) e a que possui a menor porcentagem de evangélicos (13%);
                        É onde está a maioria (71%) das cidades menos evangelizadas do Brasil. Das 485 com menos de 3% de presença evangélica, 343 estão no interior nordestino; nessas regiões o protestantismo histórico é praticamente inexististe. Em alguns estados nordestinos o presbiterianismo histórico (IPB) aparece no último relatório do IBGE com uma presença inexpressível. A porcentagem é a menor entre todas as denominações evangélicas existentes.
                        Das 258 tribos indígenas brasileiras, 39 estão no Nordeste e, destas, 29 ainda não têm uma igreja capaz de evangelizar seu próprio povo sem ajuda externa; Das 724 comunidades quilombolas (descendentes de africanos), 523 estão no Nordeste e onde, em sua grande maioria, ainda não existe uma única igreja.
                        Pesquisa etnográfica realizada em 15 de julho de 2013 apresentam ainda os seguintes dados: Cidades do Cariri da Paraíba. São João do Tigre – 5.000 hab. Sumé – 16.000 hab. Prata – 5.000,00 HAB.  São Sebastião do Umbuzeiro – 4.500,00 hab. Congo – 5.500 hab. Ouro Velho – 3.100 hab. Zabelê – 2.500 hab. Serra Branca – 13.000 hab. Amparo – 3.000 hab. Camalaú – 7.000 hab. São João do Cariri – 5.000 hab. Coxixola – 2.200 hab. Total de habitantes apenas nestas cidades: 71.800 habitantes. Estas cidades tem número reduzidíssimo de evangélicos, não tem Igreja Presbiteriana, os poucos ‘evangélicos’ não defendem o evangelho da graça de Deus, estas cidades estão no Cariri paraibano. No entanto, existem muitas outras cidades nos estados do Pernambuco, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte em situações semelhante sem despertar qualquer interesse missionário da igreja hodierna.
                        Muitos outros fatores negativos de ordem – política – social e religiosa estão intrinsecamente ligados ao nordeste brasileiro [Pode-se dizer com segurança que a “África, a Macedônia” (At 16:9) que grita por socorro é logo ali]. Eis o grande paradoxo entre a visão missionária da Igreja em Genebra e a Igreja brasileira.




[1] LIMA, Danilo Eller / Danilo Eller Lima. Diácono da Igreja Presbiteriana do Brasil do Jardim Esperança  – Cabo Frio, RJ. Em cumprimentos a exercícios de recomendações pastorais alusivos a teologia e a diakonia de João Calvino.
[2] Revista Fé para hoje. João Calvino 500 anos. p.1,2. Nº 35 – Nov/2009. Ed. Fiel.
[3] Idem, Ibid, p. 32
[4] Idem, Ibid, p. 33
[5] Idem, Ibid, Op, Cit
[6] Idem
[7] Idem
[8] Idem
[9] LIMA, Danilo Eller / Danilo Eller Lima. Diácono da Igreja Presbiteriana do Brasil do Jardim Esperança  – Cabo Frio, RJ. Em cumprimentos a exercícios de recomendações pastorais alusivos a teologia e a diakonia de João Calvino.
[10] Idem, Ibid, p.33
[11] Pesquisa etnográfica – observador participante. www.projetomacedoniamisael.blogspot.com

segunda-feira, 24 de março de 2014

O HOMEM CRISTÃO NA PESPECTIVA DE DEUS.

 “Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade...” (Êxodo 18:21).
“Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei” (Ezequiel 22:30).
“Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João” (João 1:6).
                   Os textos acima descrevem situações diferentes e de extraordinário valor pedagógico. Na primeira, o povo de Deus necessita de homens de verdade para liderança na condução do povo de Deus.  Na segunda, Deus busca UM HOMEM e não o encontra... Na terceira, Deus encontra UM HOMEM e o envia... Os objetivos de Deus eram os mesmos, tanto em relação ao HOMEM BUSCADO, como em relação ao HOMEM ENVIADO. E estes objetivos ainda hoje prevalecem especialmente, para nós, em relação ao homem cristão. Ao discípulo de Jesus.
                   Deus quer encontrar e enviar homens capazes de aborrecer a avareza, homens capazes de interceder, capazes de ‘por a mão na brecha’. No caso de Ezequiel, o muro estava fendido, havia brechas, havia rachaduras profundas... a nação estava quebrada. Havia grandes rachaduras espirituais, morais e econômicas... E alguém precisava estar ali para ajudar! As crises que se abatem sobre a nação [sobre a igreja] demandam de homens crentes sensibilidade para interceder. É fácil atirar pedras; qualquer irresponsável o faz... É fácil resistir (2 Tm 3:8,9 ). É fácil criticar visando destruir; qualquer medíocre pode fazê-lo... Mas interceder perante Deus, com amor responsável, não é fácil para a maioria! Deus quer encontrar e enviar HOMENS CAPAZES DE APONTAR O VERDADEIRO CAMINHO aos viajores[1] tresmalhados.[2]
                   Lembro-me das palavras de uma jovem presbiteriana antes de sua pública profissão de fé: “Há muito eu buscava o caminho; eu sabia que o caminho existia, só não sabia onde encontrá-lo. Vindo a esta Igreja, eu encontrei o caminho.” Sim, aquela pessoa encontrara a Jesus! É esta a necessidade maior do mundo contemporâneo. E este é o desafio supremo ao homem cristão. Por isso mesmo, nossa oração deve ser no sentido de que o Senhor faça sua vontade[3] em nossas vidas e só assim seremos verdadeiros pescadores de alma, e verdadeiras testemunhas para a glória de Deus na mediação Sacrossanta e suficiente de Jesus Cristo.

Rev. Misael Ferreira de Oliveira
Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil
rev_misael@superig.com.br


[1] Pessoa que viaja. = VIAGEIRO, VIAJANTE...
[2] Perdido, fugido, desgarrado, transviado: ovelha tresmalhada.
[3] A vontade de Deus é boa, agradável e perfeita (Rm 12:2).

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

SER MISSIONÁRIO!

“Ser missionário é uma bênção, mas esta bênção não estaria completa sem os missionários que estão espalhados na Igreja de Cristo. São irmãos e irmãs que orando por nós, nos dão forças, quando estamos tristes. Contribuindo, quando não temos recursos para realizar a obra na linha de frente, e ‘indo’ (Mc 16:15), às vezes sem sair de sua cidade, ou bairro, ou igreja, mas indo além das fronteiras através das orações rogando a Deus em Cristo para que mande mais trabalhadores e contribuintes”. (Rev. Kelvio Reges – Missionário da JMN).
“A oferta [missionária] deve ser voluntária e proporcional (2Co 8.3,4). Contribuir por coação ou constrangimento não tem valor aos olhos de Deus. A contribuição deve ser espontânea, e também, proporcional. Os crentes da Macedônia ofertaram na medida de suas posses e mesmo acima delas. A contribuição não é para trazer sobrecarga para uns e alívio para outros, mas para que haja igualdade. Para usar uma linguagem bíblica, “o que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta.
Quando ofertamos para atender à necessidade dos santos, estamos fazendo uma semeadura. Quem semeia pouco, colhe pouco; quem semeia com fartura, com abundância ceifará. O bem que fazemos aos outros vem sobre nós mesmos e isso da parte do Senhor. Quem dá ao pobre, a Deus empresta. A alma generosa prosperará. A semente que se multiplica não é a que comemos, mas a que semeamos. É Deus quem nos dá semente para semear. É Deus quem supre e aumenta a nossa sementeira. É Deus quem multiplica os frutos da nossa justiça. É Deus quem nos enriquece em tudo, para agirmos com toda generosidade, a fim de que sejam tributadas a ele, as ações de graças. Quando socorremos os santos, isso não apenas supre as necessidades deles, mas também, redunda em ações de graças a Deus. Que Deus nos mova à generosidade e nos faça mordomos fiéis na administração dos bens a nós confiados!” (Rev. Hernandes Dias Lopes].
Você tomou conhecimento desse projeto missionário (Rm 15:25-26). Deus está lhe dando uma oportunidade nobre de participar do mesmo.
Seja um cooperador e Deus lhe retribuirá conforme Filipenses 4:19.

BANCO DO BRASIL.
AGÊNCIA 2390-6
Conta: 7.732-1


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

MISSÃO DE VOLTA AO SEMI-ÀRIDO NORDESTINO PELA 2ª VEZ EM 2013.

“Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia; porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade. Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus; Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem. Porque não é para que os outros tenham alívio, e vós, sobrecarga; mas para que haja igualdade, suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta”. [2 Coríntios – Capítulo 8:1-4-6, 12-15]. Amparados pela boa mão do nosso Deus, impulsionado pela Palavra de Jesus Cristo (Mc 16:15), contando com a simpatia, orações e cooperação dos irmãos, chegamos novamente pela 7ª vez e a 2ª em 2013 ao cerne [o ápice, o ponto critico] do sertão nordestino castigado pela maior seca dos últimos 60 anos. Cada viagem missionária Deus nos proporciona momentos inenarráveis e inesquecíveis. Desta vez não foi diferente. Não consigo tirar da mente aquelas crianças nos rincões mais estranhos do sertão nordestino castigado pela seca, destituídos de qualquer conforto e beleza e sem qualquer possibilidade de desfrutar o mínimo possível de parte do conforto do mundo que desfrutamos e nos rodeia nas grandes civilizações urbanas principalmente nesses dias que antecedem a festa máxima da cristandade – o natal. Ao reclinar minha cabeça no travesseiro minha mente se volta para aquele mundo tão esquecido, tão cruel e bem abaixo de qualquer dignidade humana. Meus irmãos no Senhor Jesus: Fizestes bem em se associar a mim (Fp 4:14-19) nessa difícil, porém nobre missão de levar um pouco de Jesus Cristo aos ‘Mefibosete’ (2 Sm 4:4). “Aquele que espalha a vergonha”, nos “Lo-Deba’s” da vida! (2 Sm 9:4). Lugar que ninguém vai. Estou plenamente certo que o nosso Deus em Cristo Jesus retribuirá, recompensará ricamente vossa generosidade (1 Co 15:58; Fp 4:19). Rev. Misael.




















quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O cangaço e os crentes

Lampião se dizia católico. Ele e seu bando portavam crucifixos e cruzes. Em suas andanças de estado em estado, Lampião teve a oportunidade de encontrar-se com alguns evangélicos.
O engenheiro inglês F. C. Galss, que veio para o Brasil em 1901 para trabalhar na mina Morro Velho, perto de Belo Horizonte (MG), e que, depois, se tornou um dos mais notáveis colportores do Brasil (obreiros que vendiam Bíblia de cidade em cidade para evangelizar), conta, em seu livro “Aventuras com a Bíblia no Brasil” (p. 237), que os cangaceiros invadiram uma pequena fazenda do Nordeste, cujo proprietário era um recém-convertido. Ao entrar, os bandoleiros gritaram: “Viva Deus!”. O pessoal da fazenda respondeu: “Viva!”. Um dos cangaceiros desconfiou que a família fosse protestante, e, de faca em punho, acrescentou: “E vivam todos os santos!”. A esse grito os protestantes responderam com um profundo silêncio… Entre as coisas furtadas da fazenda, o bando levou uma Bíblia ricamente encadernada, cujo conteúdo uma das pessoas de casa teve a oportunidade de explicar.
Mais adiante, os cangaceiros entraram em outra fazenda, de um presbiteriano muito abastado, que não estava em casa, e exigiram da família a soma de 100.000 réis. Como não conseguiram o dinheiro, decidiram levar a mulher do fazendeiro como refém. Nisto, chega um rapaz, também crente e parente, e, ficando dentro da situação, oferece-se como penhor, no lugar da pobre mulher. O jovem é levado amarrado em seu próprio animal. Depois de cavalgarem por algum tempo, o rapaz e os cangaceiros começaram a conversar. O jovem aproveitou para falar-lhes de Jesus e contar como se deu a sua conversão. Mais na frente, os bandoleiros resolveram soltar o moço e este, antes de ir embora, pediu licença para orar. De joelhos, suplicou corajosamente a Deus que os seus sequestradores fossem conduzidos ao caminho de paz, por intermédio de Jesus Cristo.
Outro livro, “Januário Antonio dos Pés Formoso” (p 92), escrito pelo jornalista e professor universitário Caleb Soares, conta que o conhecido pastor Sebastião Gomes Moreira, da Igreja Presbiteriana Independente, quase se encontrou algumas vezes com Lampião na década de 30. É que o pastor ia à fazenda Lagamar, no Sergipe, para pregar, pois o seu proprietário, João Chagas, era ovelha. A mesma fazenda era também visitada por Lampião, naturalmente com outros propósitos. (Texto retirado da revista Ultimato 248 (setembro de 1997).
Rev. Misael Ferreira de Oliveira).
CURIOSIDADES
- O Protagonista, Tião Medonho, do filho O ASSALTO AO TREM PAGADO, foi interpretado pelo ator negro Eliézer Gomes,  funcionário público, protestante e cantor da IGREJA PRESBITERIANA DE MADUREIRA. Até então jamais havia aparecido no cinema, foi escolhido num concurso nacional.
- Rodado em 62 dias, ao custo de 18 milhões de cruzeiros, mais da metade do que fora roubado do trem pagador, havia dois anos.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Nordeste & Missões

“Precisamos perguntar novamente onde ficam as áreas e os povos com maior carência. Talvez sejam bem próximos, ou talvez distantes. A evangelização mundial deve começar pelas regiões mais carentes, não necessariamente pelas regiões mais distantes". (Timóteo Carriker – A Visão Missionária na Bíblia).

O Sertão é a mais próxima e negligenciada fronteira da igreja brasileira. Longe dos olhos, às margens das iniciativas e estigmatizadas como “campo resistente”, centenas de comunidades rurais, onde vivem mais de 10 milhões de pessoas, clamam ano após ano por uma oportunidade relevante de ouvir o Evangelho.

Historicamente estas cidades do sertão têm sido classificadas como “resistentes” ao avanço da igreja evangélica devido à idolatria. Dados do IBGE, contudo, revelam um forte crescimento dos “sem religião” na última década, fazendo com que este grupo já seja o segundo mais numeroso em várias destas pequenas cidades. Juripiranga (9.500 hab.), no agreste Paraibano, com 22% de “sem religião”, é um exemplo.
A Paraíba, com 84 municípios com menos de 3% de presença evangélica, é o Estado mais carente do Evangelho no Brasil!

Mas a Paraíba também é estratégica para o avanço do Reino de Deus na região, pois é o centro geográfico do Nordeste. Partindo de João Pessoa, num raio de 700 km, temos 5 outras capitais, vários pólos regionais, como Campina Grande, Mossoró e Caruaru e centenas de pequenas cidades do sertão.



Nordeste é o maior desafio missionário da igreja brasileira. Ao mesmo tempo, por causa da alegria, fibra e criatividade de sua gente, é o maior potencial ainda não mobilizado, da própria igreja, para missões. Veja alguns números.
É a 2ª região mais populosa do Brasil (51 milhões hab.) e a que possui a menor porcentagem de evangélicos (13%);
É onde está a maioria (71%) das cidades menos evangelizadas do Brasil. Das 485 com menos de 3% de presença evangélica, 343 estão no interior nordestino; nessas regiões o protestantismo histórico é praticamente inexististe. Em alguns estados nordestinos o presbiterianismo histórico aparece no último relatório do IBGE com uma presença inexpressível. A porcentagem é a menor entre todas as denominações evangélicas.
Das 258 tribos indígenas brasileiras, 39 estão no Nordeste e, destas, 29 ainda não têm uma igreja capaz de evangelizar seu próprio povo sem ajuda externa;

Das 724 comunidades quilombolas (descendentes de africanos), 523 estão no Nordeste e onde, em sua grande maioria, ainda não existe uma única igreja;
Muitos outros  fatores negativos de ordem – política – social e religiosa estão intrinsecamente ligados ao nordeste brasileiro.



NOTICIAS RECENTES DO DESAFIO MISSIONÁRIO NO NORTE [Enviadas pelo missionário da região no dia 15 de julho de 2013.

Veja Esta População estas cidades no Cariri da Paraíba:
São João do Tigre - 5.000 habitantes
São Sebastião do Umbuzeiro – 4500 hab.
Zabelê – 2.500 habitantes
Camalaú – 7.000 hab
Sumé – 16.000 hab
Congo – 5.500 hab
Serra Branca – 13.000 hab
São João do Cariri – 5.000 hab
Prata – 5.000 hab
Ouro Velho – 3.100 hab
Amparo 3.000 hab
Coxixola – 2.200 hab
Total de Habitantes: 71800 habitantes

Estas cidades tem numero reduzido de evangélicos, não tem IPB, a maioria dos evangélicos não defende o evangelho da graça, estas cidades estão no Cariri paraibano. Pb. Missº Veronilton Paz (Monteiro-PB) Numero 83 9971-3627

“A igreja precisa se incomodar com a fome, a miséria, o descalabro, amedicância, o fenômeno da favelização da cidade, envolvendo-se com os famintos e os excluídos, enxergando a si mesma como resposta de Deus para a vida das pessoas”. (Ariovaldo Ramos).

Projeto Macedônia. Fazendo Missões em solo árido com as sementes disponíveis em nossas mãos (Salmo 1265,6).
Informações: (21) 2683-0207 e 9393-8725
rev_misael@superig.com.br
www.projetomacedoniamisael.blogspot.com

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Amor Sem Medida – Um sermão sobre João 3:16 (C. H. Spurgeon).

O texto em apreço fala de DOAÇÃO, ENTREGA, SOLIDÃO E PERDA.
Nenhum ser vivente está disposto a PERDER a sua prole; o homem sofre uma dor muito aguda quando perde um filho. Acaso Deus não o sofre ainda mais? Há uma história muito popular relativa ao carinho de uns certos pais para com seus filhos. [ilustração]. A história relata que houve fome na terra, no Leste, e que um pai e uma mãe se viram sem absolutamente nada para comer, e a única possibilidade de preservar a vida da família seria vender um dos filhos para que fosse escravo.
Então os pais consideraram o assunto. O tormento de fome se tornou intolerável, e as súplicas de seus filhos pedindo pão puxavam dolorosamente as cordas de seus corações de tal maneira, que tiveram que retomar seriamente a idéia de vender a um deles, para salvar a vida de todos os demais. Tinham quatro filhos. Qual deles deveria ser vendido? Certamente não devia ser o maior: como poderiam desfazer-se de seu primogênito? O segundo, era tão parecido com seu pai que parecia uma miniatura dele, e a mãe disse que ela nunca se separaria dele. O terceiro era tão singularmente como sua mãe que o pai disse que preferiria morrer antes que este querido filho se convertesse em um escravo; e com relação ao quarto filho, ele era o Benjamim, seu caçula, seu amado filho, e não podiam separar-se dele. Finalmente concluíram que seria melhor morrerem todos juntos para não terem que separar-se voluntariamente de algum de seus filhos.
Vocês não simpatizam com esses pais? Vejo que simpatizam sim. Contudo, Deus nos amou de tal maneira que, para dizê-lo com muita ênfase, pareceria que nos amou mais que a Seu único Filho e não livrou a Ele, para perdoar-nos. Deus permitiu que entre todos os homens, Seu filho perecesse “para que todo aquele que nEle crê, não pereça, mas tenha vida eterna.”
Se desejarem ver o amor de Deus neste grande procedimento, devem considerar como Ele deu a Seu Filho. Ele não entregou a Seu Filho, como tu poderias fazer, a alguma profissão que teria como consequência desfrutar de sua companhia; senão que mandou o Seu Filho ao exílio entre os homens. O enviou à terra naquele presépio, unido em uma perfeita humanidade, que no princípio estava contida na forma de uma criança. Ali dormia, onde se alimentava um boi com longos chifres! O Senhor Deus enviou o herdeiro de todas as coisas para que trabalhasse na oficina de um carpinteiro: martelando pregos, usando o serrote, empunhando o pincel. O enviou no meio de escribas e fariseus, cujos olhos astutos O vigiavam e cujas línguas ferinas O açoitavam com calúnias vis. O enviou para a terra a fim de que passasse fome e sede, em meio a uma pobreza tão terrível que não tinha um lugar onde apoiar Sua cabeça. O enviou à terra para que O açoitassem e O coroassem de espinhos, e batessem nEle e O esbofeteassem. No fim, O entregou à morte: a morte de um criminoso, a morte do crucificado.
Contemplem essa cruz e vejam a angústia de Quem morre nela, e observem de que maneira o Pai O entregou e escondeu Seu rosto dEle, e pareceria que Ele não O reconhece! “Lamá Sabactâni” nos revela de que forma tão completa Deus entregou a Seu Filho para resgatar as almas dos pecadores. O entregou para que fosse feito maldição por nós; O entregou para que morresse “o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus”.
Queridos amigos, eu posso entender que vocês se separem de seus filhos para que se dirigiram à Índia a serviço de Sua Majestade, ou vão como missionários para Camarões ou Congo, a serviço de nosso Senhor Jesus. Posso entender muito bem que os entreguem apesar da expectativa diante de vocês de peste, pois se morrerem, teriam morrido com honra por uma gloriosa causa. No entanto, acaso poderiam pensar em uma separação que os conduzirá à morte de um criminoso, sobre um patíbulo, execrados pelas mesmas pessoas a quem buscavam abençoar, despojados das roupas de seu corpo e abandonados completamente em sua mente? Não seria tudo isso demasiado? Acaso não exclamariam “Não posso separar-me de meu filho por causa de uns canalhas como estes? Por que haveria de morrer uma morte cruel, por seres tão abomináveis, que têm o descaramento de lavar suas mãos no sangue de seu melhor amigo”?
Recordem que nosso Senhor Jesus Cristo morreu uma morte que seus concidadãos consideravam como uma morte maldita. Para os romanos, era a morte de um escravo condenado, que continha todos os elementos de dor, desonra e escárnio, mesclados ao limite máximo. “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” Oh, que maravilhoso o alcance desse amor, que Jesus Cristo necessitasse morrer!
[Extraído de: www.projetospurgeon.com.br/.../a-soberana-graca-de-deus-e-a-responsa...

A Soberana Graça de Deus e a Responsabilidade do Homem ...].



Alegria e Tristeza

Rubem Alves

A gente está alegre, não alegre. Porque esse sentimento não se mantém para sempre. Surge, colore o mundo e some feito bola de sabão. Quando está triste, bom saber, acontece igualzinho.
Freud disse que são duas as fomes que moram no corpo. A primeira fome é a fome de conhecer o mundo em que vivemos. Queremos conhecer o mundo para sobreviver. Se não tivéssemos conhecimento do mundo à nossa volta, saltaríamos pelas janelas dos edifícios, ignorando a força da gravidade e poríamos a mão no fogo, por não saber que o fogo queima.

A segunda fome é a fome do prazer. Tudo o que vive busca o prazer. O melhor exemplo dessa fome é o desejo do prazer sexual. Temos fome de sexo porque é gostoso. Se não fosse gostoso, ninguém procuraria e, como conseqüência, a raça humana acabaria. O desejo do prazer seduz.
Gostaria de poder ter tido uma conversa com ele sobre as fomes, porque eu acredito que há uma terceira: a fome de alegria.
Antigamente eu pensava que prazer e alegria eram a mesma coisa. Não são. È possível ter um prazer triste. A amante de Tomas da A Insustentável Leveza do Ser.
Se lamentava: “ Não quero prazer, quero alegria!”
As diferenças. Para haver prazer é preciso primeiro que haja um objeto que dê prazer: um caqui, uma taça de vinho, uma pessoa a quem beijar, mas a fome de prazer logo se satisfaz. Quanto caquis conseguimos comer? Quantas taças de vinho conseguimos beber? Quantos beijos conseguimos suportar? Chega um momento em que se diz: “Não quero mais. Não tenho mais fome de prazer...”
A fome de alegria é diferente. Primeiro, ela não precisa de objeto. Por vezes, basta uma memória. Fico alegre só de pensar num momento de felicidade que já passou. E, em segundo lugar, a fome de alegria jamais diz: “ Chega de alegria. Não quero mais...” A fome de alegria é insaciável.
Bernardo Soares disse que não vemos o que vemos, vemos o que somos. Se estamos alegres, nossa alegria se projeta sobre o mundo e ele fica alegre e brincalhão. Acho que Alberto Caeiro estava alegre ao escrever este poema: “ As bolas de sabão que esta criança se entretêm a largar de uma palhinha são translucidamente uma filosofia toda. Claras, inúteis, passageiras, amigas dos olhos, são aquilo que são... Algumas mal se vêem no ar lúcido. São como a brisa que passa... E que só sabemos que passa porque qualquer cousa se aligeira em nós...”
A alegria não é um estado constante – bolas de sabão. Ela acontece subitamente. Guimarães Rosa disse que a alegria só acontece em raros momentos de distração. Não se sabe o que fazer para produzi-la. Mas basta que ela brilhe de vez em quando para que o mundo fique leve e luminoso. Quando se tem alegria, a gente diz: “Por esse momento de alegria valeu a pena o Universo ter sido criado”.
Fui terapeuta por vários anos. Ouvi sofrimentos de muitas pessoas, cada um de um jeito. Mas por detrás de todas as queixas havia um único desejo: alegria. Quem tem alegria está em paz com o Universo, sente que a vida faz sentido.
Norman Brown observou que perdemos a alegria por haver perdido a simplicidade de viver que há nos animais. Minha cadela Lola está sempre alegre por quase nada. Sei disso porque ela sorri à toa. Sorri com o rabo.
Mas, de vez em quando, por razões que não se entende bem, a luz da alegria se apaga. O mundo inteiro fica sombrio e pesado. Vem a tristeza. As linhas do rosto ficam verticais, dominadas pelas forças do peso que fazem afundar. Os sentidos se tornam indiferentes a tudo. O mundo se torna uma pasta pegajosa e escura. É a depressão. O que o deprimido deseja é perder a consciência de tudo para parar de sofrer. E vem o desejo do grande sono sem retorno.
Antigamente, sem saber o que fazer, os médicos prescreviam viagens, achando que cenários novos seriam uma boa distração da tristeza. Eles não sabiam que é inútil viajar para outros lugares se não conseguimos desembarcar de nós mesmos. Os tolos tentam consolar. Argumentam apontando para as razões para estar alegre: o  mundo é tão bonito... Isso só contribui para aumentar a tristeza. As músicas doem. Os poemas fazem chorar. A TV irrita. Mas o  mais insuportável de tudo são os risos dos outros que mostram que o deprimido está num purgatório do qual não vê saída. Nada vale a pena.
E uma sensação física estranha faz morada no peito, como se um polvo o apertasse. Ou esse aperto seria produzido por um vácuo interior? É Thanatos fazendo o seu trabalho. Por que quando a alegria se vai ela entra...Os médicos dizem que a alegria e a depressão são formas sensíveis que tomam os equilíbrios e os desequilíbrios da química que controla o corpo. Que coisa mais curiosa: que a alegria e a tristeza sejam máscaras da química! O corpo é muito misterioso...
Ai, de repente, sem anunciar, ao acordar de manhã, percebe-se que o mundo está de novo colorido e cheio de bolhas translúcidas de sabão... A alegria voltou! 
(Rubem Alves é Escritor, Pedagogo, Teólogo e Psicanalista.)